Diferença entre entender como funciona e apenas saber fazer.

Venho percebendo um comportamento comum entre os profissionais de informática, principalmente da nova geração, isto é, posterior à minha.

Todos querem aprender a fazer, mas ninguém quer entender como funciona.

Pesquisar (no Google) para encontrar solução para um problema "x" pode até servir para situações específicas ou então quando envolvem um assunto que não é nossa especialidade e só utilizaremos naquela ocasião. Entretanto, tal prática vem substituindo o verdadeiro aprender, em que entendemos todo o processo envolvido e realmente sabemos o que está acontecendo.

Um exemplo para ser mais claro: montar uma rede sem-fio residencial. Qualquer técnico de informática com nível básico consegue seguir o tutorial do CD de instalação e fazer as configurações. Dúvida ou problema simples, joga no Google. Problemas complexos podem acontecer, mas são raros.

O que muitos não percebem é que isto está muito longe de conhecer a tecnologia sem-fio. Se o mesmo técnico lesse uma ou duas (boas) apostilas, entenderia os princípios do funcionamento wi-fi, saberia quais as funções e equipamentos básicos e até os "ajustes finos" para dar mais segurança e estabilidade ao conjunto. Não seria um expert em redes sem-fio, mas teria uma base suficiente para entender o que estava fazendo.

O mesmo vale para programação ou qualquer outra área: "perder" algum tempo lendo sobre o assunto lhe dá uma base sólida sobre o tema, não somente uma coleção de dicas decoradas para situações específicas.

Entretanto, os profissionais atuais parecem estar muito ansiosos para conseguir resolver os problemas e gerar soluções, não podendo "desperdiçar" horas com real aprendizado. Uma geração que sobrevive a partir da absorção de respostas diretas, porém superficiais e que passa longe dos livros, manuais , revistas ou qualquer coisa com mais de duas páginas. Resultado: sempre estarão pesquisando o próximo passo a tomar, o próximo comando a executar e aceitarão a primeira resposta que conseguirem, que nem sempre é a melhor.

Até admito que há muita coisa que pode ser filtrada, informações tão específicas que servem apenas aos especialistas, se tanto, só que isso é apenas questão de saber escolher as fontes. Abdicar da literatura, entretanto, causará prejuízos a médio e longo prazo e fará a diferença na hora de separar os bons profissionais do resto.

Se o assunto REALMENTE te interessa, APRENDA REALMENTE sobre ele. Absorva e seja um repositório de verdadeiro conhecimento. Informação e receitas prontas, a gente acha no Google.

Comentários

  1. Concordo; há muitas pessoas dependentes do google para dar todos os passos, até os mais simples.

    Há até uma piada em que um usuário, perguntado sobre o que estava fazendo naquele lugar, foi procurar a resposta no google.

    E também é no google que tenho encontrado bons manuais para me aprofundar verdadeiramente em alguns assuntos.

    Excelente post, meu amigo!

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  2. Excelente ponto de vista, camarada. Concordo e assino embaixo. E acrescento que esta minha tradução aqui complementa o assunto: http://osarcofago.blogspot.com/2007/09/amadores-e-profissionais.html

    Eu tenho ultimamente montado uma biblioteca técnica pra mim com temas relacionados a desenvolvimento de software, como forma de desenvolver ainda mais minhas habilidades, pois tenho certeza de que a faculdade e a pós-graduação não vão suprir todas as minhas necessidades.

    Em alguns dias vou publicar um artigo no meu blog sobre ela. Se quiser aparecer por lá, fique à vontade.

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  3. Que maravilha! Encontrei alguém que compartilha de uma opinião!!!

    Eu faço parte dessa nova geração, com certeza. E concordo com você em gênero, número e grau. Pois tenho visto o mesmo tipo de comportamento em vários colegas de trabalho que conheci.

    Muitas vezes a solução para um problema era simples, bastava apenas ter um conhecimento sólido da base, de como aquilo tudo funciona. Inclusive, as vezes, o problema é tão específico e pequeno que nem mesmo aquele admin sabe o que colocar no campo de busca do google. Bastava ter conhecimento do software como um todo ou ter conhecimentos básicos, aqueles que ganhamos em aulas de sistemas operacionais e/ou em alguma matéria de introdução a alguma coisa, que se poderiam descartar várias opções furadas...

    Eu, pelo contrário, sinto a necessidade de ver os bits trafegando, sou São Tomé, preciso ver acontecendo pra crer. Prefiro conhecer de cabo-a-rabo. Não é por nada que migrei pra software livre onde caso eu não entenda o software, posso ir para o código fonte e me deliciar com o crú da coisa.

    Excelente post.

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