Charlie B. e seus arquivos MP3

Quando meu amigo Charlie começou a colecionar suas primeiras músicas em MP3, todas cabiam em seu pequeno HD. Afinal, apenas tinha acesso àquelas que conseguia com internet discada, usando programas como o finado Audiogalaxy, ou baixando dos poucos sites que encontrava.

Com o tempo a quantidade de arquivos foi aumentando e ele decidiu que era hora de passá-las para outra mídia. Some o fato de ter comprado recentemente um DVD player que também tocava MP3, lá estava meu amigo gravando tudo em CD.

Mas Charlie era organizado e meticuloso, por isso antes de queimar os discos, toda música passava por um processo que envolvia acerto de tags, conversão, normalização, renomeação e organização em pastas. Depois de gravado o CD, meu amigo ainda fazia as capinhas de cada CD.

Isso levava um bom tempo, mesmo com as ferramentas adequadas, principalmente quando as músicas vinham praticamente sem nenhuma informação, pois a pesquisa era complicada.

Gravar os arquivos em CDs liberava o precioso espaço em disco, por outro lado outras questões surgiam: como achar uma determinada música em tantos CDs? E como evitar gravar músicas já gravadas anteriormente? Foi então que Charlie conheceu o VisualCD, ótimo programa catalogador de CDs e DVDs, que o ajudou bastante.

Aos poucos toda a coleção de Charlie ia se transferindo para os CDs. Embora isso muitas vezes atrapalhasse sua produtividade, gostava de ver o resultado final. Mas, como sempre, nada é tão simples...

A primeira grande decepção de Charlie foi quando percebeu que o tubo de CDs que havia comprado de um amigo, não era da qualidade que ele imaginava. Num espaço de tempo muito curto ele viu vários de seus CDs dando erro de leitura. Tanto trabalho e tempo perdidos, sem mencionar muitas de suas músicas favoritas.

Pensou até em ir atrás delas em Hds de amigos e internet afora, mas viu que seria mais perda de tempo. Paralelamente, o serviço dele (é técnico em informática, como eu) começava a trazer mais e mais músicas, a cada micro que pegava para consertar. Havia conseguido um HD maior, mas não agüentaria por muito tempo.

Havia músicas no PC de casa e no do trabalho, uma nova coleção estava se formando mas, junto com ela, aumentava a angústia ao imaginar o trabalho que teria: separar as músicas repetidas e passá-las por todo aquele processo. O que parecia diversão estava se tornando uma tarefa e das mais árduas.

Atualmente Charlie tem músicas nestes dois lugares e em um HD externo, divididas em várias pastas, conforme elas vem surgindo. Uma parte das músicas já foi analisada, várias já foram para DVD (a nova mídia de armazenamento que, infelizmente, não lê como deveria no aparelho de DVD dele), mas sabe que muita coisa precisa ser feita.

Já tem consciência da grandeza do trabalho que terá com os MP3 e de quanto isto é prejudicial à sua produtividade. Exatamente por isso nem chega perto das pastas compartilhadas na rede, que têm muito mais música. Por outro lado, sente que não pode deixar as coisas como estão.

Nestes anos que se passaram, muita coisa mudou. Surgiram os MP3 player portáteis na casa dos gigabytes, os aparelhos de som têm entrada USB, os HDs agora contam com centenas de gigas e os tocadores de música são verdadeiras bibliotecas musicais, que saem pela internet à procura de capas de CDs e de tags corretas pros MP3.

A solução ideal para o Charlie seria ter um HD grande só para suas músicas e outro HD ou outra mídia, para backup de todas, ou das músicas mais legais, dependendo da capacidade de armazenamento. Assim, todas estariam ao seu alcance e ele teria muito mais liberdade na hora de montar sua trilha sonora. Enquanto isso não acontece, procura outra saída, afinal, não pode ficar escravo de suas músicas.

Outro dia li na revista Info que já estão oferecendo serviços para organizar os arquivos musicais das pessoas. Pelo visto, não é só o meu amigo Charlie que sofre com esses problemas. Aliás, acho que aconteceria exatamente o mesmo comigo, se eu colecionasse tantas MP3, mas como isso é ilegal, não tenho nada a ver com a história.

Comentários

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  2. Quando comecei a ler, achei que o Charlie Brown Jr (que não é filho do Carlinhos Brown) estava disponibilizando suas músicas em mp3.

    Hoje não coleciono músicas, mas vídeos musicais, disponíveis no YouTube sem quaisquer restrições. É-me mais fácil encontrar certas músicas lá do que em sites de vendas de mp3.

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